terça-feira, abril 29, 2008

Irei sozinho...

Estou deprimido...

Alguém a duas portas de distância deixou este mundo, para ver o outro... mas não é isso que me deixa mal... todos os dias pessoas partem em qualquer outra parte do mundo... o que me deprime... são as conversas dos que por cá vão ficando...

Mas ninguém nota... ninguém repara... ou porque não querem reparar, ou porque não dou azo a que o façam... não mostro muito das minhas emoções... do que penso, do que vivo, do que sou...
A minha mãe não consegue... a minha irmã pouco menos (oops, já la vai um pouco de mim)... a mulher que eu amo, hoje estava muito ocupada com a sua própria "depressão" para reparar nisso... eu também não preciso de muito para o disfarçar... gosto dela, amo-a mesmo... e faço um esforço tremendo para lho mostrar... não me é fácil... nunca o foi.. com ela, nem com quem veio antes dela... mas se não o fizer com ela, não me vejo a fazer com mais ninguém... não levo coisas tristes para ao pé das pessoas que amo... "cenas" tristes... ficam onde a tristeza se abateu...

Quando ando pela rua, aprecio tudo... o sol a queimar as pestanas, cada pingo de chuva que atropela o meu rosto (sobretudo agora...), cada grau centígrado a mais ou a menos... fazem-me sentir vivo... se estiver sempre confortável, esqueço facilmente que o meu corpo está vivo... e sempre que vejo, um cão, um gato, um rato, uma sardanisca, um pardalito... tombados na rua inanimados... lembro-me do que que me irá acontecer... agora, mais tarde... rápida ou lentamente... e tento aproveitar cada minuto, cada sopro como se fosse o último...

Não gosto quando ouço queixumes de poderiam lá ter estado... que poderiam ter feito mais... poderiam ter dito mais... amado mais... façam-no enquanto tiverem hipótese para o fazer... não depois... aproveitem tudo o que têm... a verdadeira "alegria" da morte, é ter noção e consciência de que todos os momentos contam... bons, maus... que as pessoas que partiram tiveram de facto um impacto positivo no que transmitiram, no que nos fizeram sentir e viver...
Por isso, sou "frio"... por isso detesto funerais... são para mim a admissão sincera da hipocrisia latente em cada um de nós... sim até eu... por tentar fingir algo que não sinto verdadeiramente... não encaro a morte como a esmagadora maioria de nós... algo trágico, extremamente doloroso... para mim, é o início do recomeço... uma nova hipótese para quebrar o ciclo...

Agasta-me o medo que as pessoas têm de partir sozinhas... mas elas partem sós... quanto muito, quando iniciam a viagem, estão acompanhadas... mas partem sozinhas... é uma viagem que mais ninguém fará por nós, e que todos nós um dia faremos... por nós... ninguém morre por mim... ninguém viverá a minha morte... por mais que esteja ao meu lado... por mais palavras tranquilizantes que diga... o máximo que conseguirão, é ver o momento em que parto...

Amo tudo o que tenho agora... Amarei tudo o que tiver amanhã... pois um dia, deixarei tudo para trás... e quando o fizer... irei sozinho.

quarta-feira, abril 23, 2008

2 míseros minutos...

Pessoalmente, só vejo televisão em duas alturas do dia... ao almoço (e pouco) e ao jantar (menos ainda)...

No entanto, do pouco que vejo não deixo de reparar em pequenos detalhes que, não parecendo importantes num primeiro olhar, me deixa a pensar nas condicionantes dos "media" portugueses...

Num primeiro esboço... a sintonia temporal das noticias de cada um... Noto sobretudo durante a noite... incrível coincidência... quando não quero ver nada sobre futebol, lá estão os três no futebol... ou quando não estou para aturar novelas em tribunal ( e não só), já estão os três a tomar conta da ocorrência (hum... não é por nada mas acho que voltámos ao futebol...). Melhor ainda... quando perdem 2 minutos... 2 miseros minutos, com assuntos sérios, merecedores de investigação, análise, uma abordagem metódica... mas nada... limitam-se a reportar... claro...

Mas se porventura, a noticia tem a ver com uma situação em que... por exemplo (bem real)... uma senhora não consegue obter dupla nacionalidade para a filha... aqui d'El Rei... 20 minutinhos... 20 míseros minutinhos de diarreia mental... claro... investigação, análise, uma abordagem metódica no melhor jornalismo que se faz neste jardim não se sabe bem onde plantado... uns dizem que é ao pé do mar... outros... bem... nas traseiras de Espanha... se me fiar na qualidade jornalistica destes senhores... quem saberá onde estamos...

Mas isto é o sono a falar... já divago muito... felizmente ainda há (muitíssimo poucos e) bons jornalistas em Portugal.

terça-feira, abril 08, 2008

Dupla face, a imperfeita simetria do Ser

Todos nós temos uma cara...

Expressões enganosas que todos fazemos, habituamo-nos a elas sem dar conta de nada, convivendo com elas no quotidiano rotineiro, inconscientemente aperfeiçoando as suas subtilezas, os seus jeitos, acabando por convencer todos os outros que as nossas expressões são sinceras, honestas, amigas...

Eu não posso falar muito... Não, posso... as minhas expressões são frias, quentes, indiferentes... varia muito de situação para situação... mas todas elas são honestas.

Não gosto de olhar para um sorriso falso, não gosto da hipocrisia disfarçada, não gosto da mentira dissimulada por entre olhares quentes, e sorrisos rasgados. Não gosto de atitudes prepotentes disfarçadas de sapiência de senso comum, como se neste mundo uns fossem mais que outros.

As únicas expressões verdadeiras que infelizmente povoam este mundo, são as de ódio, raiva, dor física ou mental, que inquieta a alma e a faz afundar cada vez mais no abismo sem retorno... ainda se admiram sociólogos, psicólogos, e afins que as pessoas se afastam do que é humano, do que as faz felizes... sem querer denegrir a profissão nem por em causa a nobreza da sua missão, incomoda-me o facto de que todas as soluções que normalmente eles apontam para uma determinada situação, vai acabar sempre no oposto do que pretendem! E volta tudo ao mesmo.

Mudar para melhor, para uma vida mais preenchida, não depende de um Deus (ou não) que nos mude, não depende da fé cega nos outros que dizem que nos guiam para uma vida melhor. O velho adágio "queres mudar o mundo, muda-te a ti primeiro" é bom... mas não sem que se tenha consciência "que uma viagem de mil léguas, começa sempre com um pequeno passo".