Estou deprimido...
Alguém a duas portas de distância deixou este mundo, para ver o outro... mas não é isso que me deixa mal... todos os dias pessoas partem em qualquer outra parte do mundo... o que me deprime... são as conversas dos que por cá vão ficando...
Mas ninguém nota... ninguém repara... ou porque não querem reparar, ou porque não dou azo a que o façam... não mostro muito das minhas emoções... do que penso, do que vivo, do que sou...
A minha mãe não consegue... a minha irmã pouco menos (oops, já la vai um pouco de mim)... a mulher que eu amo, hoje estava muito ocupada com a sua própria "depressão" para reparar nisso... eu também não preciso de muito para o disfarçar... gosto dela, amo-a mesmo... e faço um esforço tremendo para lho mostrar... não me é fácil... nunca o foi.. com ela, nem com quem veio antes dela... mas se não o fizer com ela, não me vejo a fazer com mais ninguém... não levo coisas tristes para ao pé das pessoas que amo... "cenas" tristes... ficam onde a tristeza se abateu...
Quando ando pela rua, aprecio tudo... o sol a queimar as pestanas, cada pingo de chuva que atropela o meu rosto (sobretudo agora...), cada grau centígrado a mais ou a menos... fazem-me sentir vivo... se estiver sempre confortável, esqueço facilmente que o meu corpo está vivo... e sempre que vejo, um cão, um gato, um rato, uma sardanisca, um pardalito... tombados na rua inanimados... lembro-me do que que me irá acontecer... agora, mais tarde... rápida ou lentamente... e tento aproveitar cada minuto, cada sopro como se fosse o último...
Não gosto quando ouço queixumes de poderiam lá ter estado... que poderiam ter feito mais... poderiam ter dito mais... amado mais... façam-no enquanto tiverem hipótese para o fazer... não depois... aproveitem tudo o que têm... a verdadeira "alegria" da morte, é ter noção e consciência de que todos os momentos contam... bons, maus... que as pessoas que partiram tiveram de facto um impacto positivo no que transmitiram, no que nos fizeram sentir e viver...
Por isso, sou "frio"... por isso detesto funerais... são para mim a admissão sincera da hipocrisia latente em cada um de nós... sim até eu... por tentar fingir algo que não sinto verdadeiramente... não encaro a morte como a esmagadora maioria de nós... algo trágico, extremamente doloroso... para mim, é o início do recomeço... uma nova hipótese para quebrar o ciclo...
Agasta-me o medo que as pessoas têm de partir sozinhas... mas elas partem sós... quanto muito, quando iniciam a viagem, estão acompanhadas... mas partem sozinhas... é uma viagem que mais ninguém fará por nós, e que todos nós um dia faremos... por nós... ninguém morre por mim... ninguém viverá a minha morte... por mais que esteja ao meu lado... por mais palavras tranquilizantes que diga... o máximo que conseguirão, é ver o momento em que parto...
Amo tudo o que tenho agora... Amarei tudo o que tiver amanhã... pois um dia, deixarei tudo para trás... e quando o fizer... irei sozinho.
Alguém a duas portas de distância deixou este mundo, para ver o outro... mas não é isso que me deixa mal... todos os dias pessoas partem em qualquer outra parte do mundo... o que me deprime... são as conversas dos que por cá vão ficando...
Mas ninguém nota... ninguém repara... ou porque não querem reparar, ou porque não dou azo a que o façam... não mostro muito das minhas emoções... do que penso, do que vivo, do que sou...
A minha mãe não consegue... a minha irmã pouco menos (oops, já la vai um pouco de mim)... a mulher que eu amo, hoje estava muito ocupada com a sua própria "depressão" para reparar nisso... eu também não preciso de muito para o disfarçar... gosto dela, amo-a mesmo... e faço um esforço tremendo para lho mostrar... não me é fácil... nunca o foi.. com ela, nem com quem veio antes dela... mas se não o fizer com ela, não me vejo a fazer com mais ninguém... não levo coisas tristes para ao pé das pessoas que amo... "cenas" tristes... ficam onde a tristeza se abateu...
Quando ando pela rua, aprecio tudo... o sol a queimar as pestanas, cada pingo de chuva que atropela o meu rosto (sobretudo agora...), cada grau centígrado a mais ou a menos... fazem-me sentir vivo... se estiver sempre confortável, esqueço facilmente que o meu corpo está vivo... e sempre que vejo, um cão, um gato, um rato, uma sardanisca, um pardalito... tombados na rua inanimados... lembro-me do que que me irá acontecer... agora, mais tarde... rápida ou lentamente... e tento aproveitar cada minuto, cada sopro como se fosse o último...
Não gosto quando ouço queixumes de poderiam lá ter estado... que poderiam ter feito mais... poderiam ter dito mais... amado mais... façam-no enquanto tiverem hipótese para o fazer... não depois... aproveitem tudo o que têm... a verdadeira "alegria" da morte, é ter noção e consciência de que todos os momentos contam... bons, maus... que as pessoas que partiram tiveram de facto um impacto positivo no que transmitiram, no que nos fizeram sentir e viver...
Por isso, sou "frio"... por isso detesto funerais... são para mim a admissão sincera da hipocrisia latente em cada um de nós... sim até eu... por tentar fingir algo que não sinto verdadeiramente... não encaro a morte como a esmagadora maioria de nós... algo trágico, extremamente doloroso... para mim, é o início do recomeço... uma nova hipótese para quebrar o ciclo...
Agasta-me o medo que as pessoas têm de partir sozinhas... mas elas partem sós... quanto muito, quando iniciam a viagem, estão acompanhadas... mas partem sozinhas... é uma viagem que mais ninguém fará por nós, e que todos nós um dia faremos... por nós... ninguém morre por mim... ninguém viverá a minha morte... por mais que esteja ao meu lado... por mais palavras tranquilizantes que diga... o máximo que conseguirão, é ver o momento em que parto...
Amo tudo o que tenho agora... Amarei tudo o que tiver amanhã... pois um dia, deixarei tudo para trás... e quando o fizer... irei sozinho.